Angu com tomatinho: sabor da roça na sua mesa

Se tem uma coisa que nunca sai de moda é a comida que carrega história.

Mais do que alimentar, ela desperta lembranças, aquece o coração e conecta gerações.

Entre tantas receitas da nossa infância, o angu com tomatinho ocupa um lugar especial: simples, acessível e cheio de sabor.

Neste post, vamos mostrar como preparar essa delícia que une a rusticidade do milho crioulo com a acidez vibrante do tomatinho de quintal — um prato que traduz o verdadeiro espírito da cozinha caseira e da vida na roça.

A gente já mostrou no post anterior como é que a gente guarda os tomatinhos que colhemos aqui no quintal.

Esse tomatinho é o maior barato, porque ele nasce sozinho, não é cultivado e todo ano reaparece quando chega o momento dele, das sementes saírem da dormência e nascer. E uma vez congelado, as receitas possíveis são várias.

Mas hoje vamos compartilhar uma receita muito especial: o angu com tomatinho.

É uma receita simples, mas que tem um sabor de nostalgia, porque lembra nossa vida na roça, quando esses tomatinhos apareciam espontaneamente na lavoura (sem que a gente os cultivasse).

E uma das receitas mais saborosas que a gente fazia era esse angu com tomatinho. Tudo bem, você pode dizer que dá para fazer com qualquer tomate (e dá sim!), mas esse aqui é diferente.

O tomatinho do quintal

Esse tomatinho é diferente. Ele é especial. O angu fica muito saboroso, o contraste é delicioso com a acidez e o sabor rústico que ele possui.

Além disso, o tomatinho do quintal tem uma característica única: ele é resistente e espontâneo. Sem cuidados específicos, sem adubação planejada, ele insiste em nascer ano após ano. Essa força da natureza torna cada colheita uma surpresa e cada receita única.

O milho crioulo

Para fazer esse essa receita, a gente vai precisar obviamente do tomatinho. Mas vamos precisar também, primeiramente,  fazer o angu.

A gente já mostrou no nosso canal no Youtube como a gente colhe, nós temos aqui um milho ‘crioulo’ para fazer o angu.

A gente testou várias técnicas e para gente o que é mais interessante é essa aqui que vamos descrever abaixo.

Para que não conhece, o milho crioulo é aquele mantido de geração em geração pelos agricultores familiares, sem depender de empresas de sementes.

Ele pode ser guardado da própria colheita e replantado no ano seguinte, preservando a diversidade genética e se adaptando naturalmente ao ambiente local.

Já o milho comercial é resultado de processos de melhoramento genético convencional, que cruzam variedades diferentes para gerar híbridos mais produtivos, ou de biotecnologia, que cria variedades transgênicas resistentes a pragas e herbicidas (o mais comum hoje em dia).

A grande diferença é que o milho crioulo garante autonomia e diversidade, enquanto o milho híbrido ou transgênico oferece produtividade e uniformidade, mas exige que o agricultor compre sementes novas a cada safra.

Por isso, quando falamos de receitas tradicionais e sabores únicos, o milho crioulo traz uma riqueza que vai além da produtividade: ele carrega história, identidade cultural e resistência.

Originário das Américas, especialmente da região do México, o milho crioulo foi domesticado há milhares de anos pelos povos indígenas e se espalhou por todo o continente, adaptando-se a diferentes ambientes e climas.

Ele é considerado um símbolo de diversidade agrícola e cultural, pois apresenta grande variação de cores (amarelo, branco, roxo, azul, vermelho), sabores e texturas.

Essa diversidade garante não apenas riqueza culinária, mas também maior resistência às condições naturais, já que cada variedade se adapta melhor ao solo e ao clima em que é cultivada.

Além disso, o milho crioulo é fundamental para a agricultura familiar e para a soberania alimentar, porque pode ser cultivado sem grandes insumos químicos, reduzindo o uso de agrotóxicos e preservando o meio ambiente.

Ele também contribui para manter vivas práticas tradicionais de plantio e preparo, reforçando o elo entre alimentação, cultura e sustentabilidade.

Receita Angu com Tomatinho

Esse prato é inigualável para gente, especialmente porque traz lembranças do passado.

Esse tipo de receita também nos lembra da importância de valorizar os ingredientes locais.

Em vez de depender apenas de produtos industrializados, podemos olhar para o que nasce naturalmente ao nosso redor. O tomatinho do quintal, o milho crioulo, o orégano fresco: tudo isso mostra que a cozinha pode ser simples e ainda assim cheia de riqueza.

Ingredientes da receita

Para preparar o prato, vamos precisar:

  • Tomatinho
  • Milho ou fubá
  • Alho, cebola e sal
  • Outro temperos a gosto (como orégano ou manjericão)
  • Opcional: colorau para dar cor ao molho

Preparando o angu (a partir do milho maduro)

  1. Deixe o milho de molho por 2 a 3 dias para amaciar e fermentar.
  2. Bata no liquidificador com água.
  3. Coe para separar a parte fibrosa da farinha.
  4. Leve ao fogo, mexendo sempre para não grudar.
  5. Daqui pra frente o processo é o mesmo de fazer angu a partir do fubá.
  6. Adicione sal a gosto (ou deixe sem sal, se preferir).

Esse processo de fermentação faz o milho “retroceder” e ficar com sabor de milho verde. O resultado é um angu cremoso e inigualável.

No final, após liquidificar o milho e coar, sobra apenas um bagaço que a gente gosta de dar para as nossas galinhas.

Como a gente já mostrou em outros vídeos, esse produto serve para fazer pão, mingau, e outras receitas que vocês acharem conveniente a partir do milho. Fica muito saboroso.

Nós já temos vídeo no canal de como a gente faz o pão a partir desse mesmo processo. 

E como a gente já disse, o angu, como a gente também já falou, é inigualável.

A gente desafia vocês a provar um angu tão gostoso como esse, porque o processo de fermentação, de molhar o milho, faz com que ele retroceda um pouco e volte a ser como se fosse um milho verde.

 Então fica muito saboroso!

Preparando o angu (a partir do fubá)

Nem todo mundo tem acesso ao milho crioulo ou tempo para preparar o angu desde o grão. Por isso, o fubá é uma alternativa prática e igualmente saborosa. O processo é mais rápido, mas ainda mantém a essência da receita tradicional.

Proporção básica: 1 xícara de fubá + 4 xícaras de água.

  1. Escolha o fubá: prefira o fubá de milho mais fino, que deixa o angu cremoso.
  2. Dissolva o fubá: em uma tigela, misture o fubá com água fria antes de levar ao fogo. Isso evita que empelote.
  3. Cozimento: leve a mistura ao fogo baixo, mexendo sempre com colher de pau.
  4. Ajuste a textura: conforme o angu engrossa, adicione mais água quente se quiser mais cremosidade.
  5. Finalize com sal: coloque sal a gosto e continue mexendo até atingir a consistência desejada.

Dica: se quiser um angu mais firme, use menos água; para um angu mais leve e cremoso, aumente a quantidade.

Assim, mesmo sem o milho crioulo, é possível preparar um angu delicioso e pronto para receber o molho de tomatinho.

O molho de tomatinho

  1. Refogue alho e cebola.
  2. Adicione os tomatinhos, sal e um pouco de água.
  3. Abafe por 5 minutos até murcharem.
  4. Amassar ou deixar inteiros, conforme preferência.
  5. Finalizar com orégano ou manjericão.

Se quiser, acrescente colorau para intensificar a cor.

Finalizando o prato

Depois de preparar o angu e o molho de tomatinho, é hora de montar a travessa.

Coloque primeiro o angu ainda quente em uma travessa funda e deixe descansar por alguns minutinhos. Esse tempo é importante porque o angu dá uma leve endurecida, formando uma base mais firme. Assim, quando você adicionar o molho por cima, ele não se mistura imediatamente e mantém a apresentação mais bonita.

Em seguida, espalhe o molho de tomatinho sobre o angu, cobrindo de maneira uniforme.

O contraste da cor amarela do milho com o vermelho vivo do tomate deixa o prato ainda mais apetitoso.

Finalize com algumas folhinhas frescas de orégano ou manjericão para dar aroma e um toque especial.

Dica extra: se quiser servir em porções individuais, você pode montar em tigelinhas ou ramequins, colocando o angu no fundo e o molho por cima. Fica charmoso e prático para cada convidado.

Combinações

E para acompanhar, não podia faltar um quiabinho. Ele traz textura e sabor que lembram ainda mais a comida caseira da roça.

Muita gente torce o nariz para o quiabo por causa da “baba”, mas quando bem preparado, ele é delicioso e combina perfeitamente com o angu e o molho. Em breve, traremos o modo de preparo.

Esse prato pode ser servido sozinho ou como acompanhamento de:

  • Frango caipira
  • Carnes de panela
  • Cogumelos salteados
  • Legumes refogados
  • Couve refogada

Cada combinação traz uma nova experiência gastronômica.

Valor nutricional

Outro ponto importante é o valor nutricional.

O milho é fonte de fibras e energia, enquanto o tomate traz vitaminas como a C e a A, além de licopeno, que é um antioxidante poderoso.

Ou seja, além de saboroso e afetivo, o prato também é saudável.

Conclusão

O angu com tomatinho é mais do que uma receita: é uma história contada em sabores.

Ele une simplicidade, memória e cultura em um prato que aquece o coração.

Se você nunca experimentou, fica aqui o convite.

Prepare o angu, faça o molho com tomatinho e sinta esse sabor cheio de lembranças.

Temos certeza de que vai se surpreender.

Até mais, pessoal!

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