Pouco exigente, resistente e generoso, o inhame rosa é pouco conhecido nas hortas de quem valoriza alimentos nutritivos e de fácil cultivo.
Por isso, neste post, compartilhamos uma experiência prática de colheita e manejo dessa planta, destacando sua versatilidade, seu potencial ornamental e sua importância como fonte alimentar quase esquecida.
Nomes populares
O inhame rosa é também conhecido, em algumas regiões, como “inhame porco” ou “inhame do brejo”.
Em inglês, variedades semelhantes podem ser chamadas de “yam” ou “lesser yam”, embora esses termos sejam utilizados de forma ampla para diferentes espécies.
Trata-se de uma planta pertencente ao gênero Dioscorea, caracterizada como uma variedade rústica e pouco exigente de tubérculo, que se desenvolve com facilidade em áreas sombreadas e úmidas.
Valor nutricional e sabor
Apesar de ser menos conhecido que o inhame chinês ou o cará tradicional, ele oferece grande valor nutricional e pode ser cultivado com mínima intervenção.
Seus tubérculos têm coloração mais rosada e textura macia.
É um inhame muito gostoso!
Sendo bem sinceros, nós preferimos em termos de sabor o inhame chinês. Mas esse aqui não perde muito para o inhame chinês, não.
É bem macio, bem gostoso, tá?
Uma leve preferência pelo inhame chinês, mas considerando que aqui é uma planta que não nos exige qualquer trato cultural (que vamos detalhar mais adiante), a gente tem que valorizar e tem que dar valor a uma planta dessa, né?
E que no passado foi tão consumida e que hoje muita gente até desconhece.
Não à toa, o inhame rosa é considerado uma PANC — Planta Alimentícia Não Convencional.
Isso significa que, apesar de ser comestível e nutritivo, ele não é amplamente cultivado ou comercializado, muitas vezes por desconhecimento.
Manejo e cultivo prático
O inhame rosa é muito interessante, porque é como se fosse aquele alimento grátis que você tira de uma de uma cultura que você não dá muita atenção durante o ano.
Assim, o inhame é plantado e deixado no local, aproveitando áreas sombreadas e úmidas do quintal.
Quando se inicia o período mais seco do ano, realiza-se a colheita seletiva, retirando-se as cabeças mais desenvolvidas e deixando o restante da planta no solo para que continue seu ciclo de crescimento.

A gente sempre tenta arrancar a cabeça e manter os brotos, porque aí essa planta vai voltar a se desenvolver no ano que vem.
Estratégia de colheita e perenidade
Neste caso, o objetivo principal do cultivo desse inhame não é o consumo dos chamados “dedos”, mas sim a colheita das cabeças mais desenvolvidas, que são preferidas para o aproveitamento alimentar.
A gente tem por hábito arrancar as cabeças e manter os brotos para que eles se desenvolvam nos anos seguintes.
Então a gente trata essa planta como uma planta perene.
O inhame rosa, aqui na nossa região, não chega nem a secar as folhas direito.
Ele se mantém verde na maior parte do ano.
Dessa forma, aproveita-se os períodos mais secos para realizar a colheita das cabeças mais desenvolvidas, preservando os brotos para que a planta continue seu ciclo, e sempre exista por aqui.
Essa prática permite que os exemplares permaneçam no local, garantindo colheitas recorrentes ao longo dos anos.
Propagação e expansão do cultivo
Por isso que a gente falou que é uma fonte grátis de alimento pra gente, porque não é uma planta que a gente se envolve muito com ela, não exige cuidados específicos nem tratos culturais.
A planta é simplesmente deixada no terreno, desenvolvendo-se de forma espontânea e contínua.
Observa-se aqui a presença dos chamados “dedinhos”, que são tubérculos menores.

Embora possam ser consumidos, neste caso serão utilizados para ampliar o cultivo existente.
Esses pequenos tubérculos serão empregados na propagação da planta, contribuindo para a expansão gradual do plantio.
Então, vejam a nossa pequena colheita de inhame rosa.

Isso aumenta o estoque de alimentos que a gente tem disponível para usar durante o ano, né?
E como falamos, sem que a gente tenha que gastar nosso tempo ou nosso esforço em atividades de tratos culturais com essa planta.
Sustentabilidade e resgate cultural
É curioso pensar como o inhame rosa, apesar de sua rusticidade e resistência, acabou ficando de lado.
Muitas vezes, o foco vai para culturas que exigem mais insumos, mais cuidados, e acabam sendo menos sustentáveis.
O inhame rosa, por outro lado, é quase autossuficiente.
Ele cresce onde outras plantas talvez não prosperassem, aproveita espaços esquecidos e ainda assim entrega alimento de qualidade.
Potencial ornamental
Outra coisa interessante é que o inhame rosa, além de sua função alimentar, essa planta possui folhagens muito bonitas com alto valor ornamental, podendo tranquilamente ter uso paisagístico.
Aqui não está com folhagem muito desenvolvida, pois ele atinge porte muito maior.

Lembra muito aquelas alocasias que são cultivadas puramente com a finalidade ornamental.
É uma planta bonita, que além de tudo dá uma flor também bonita, que a gente mostrou aqui no canal.
Dessa forma, o inhame rosa reúne características que permitem conciliar o uso ornamental com o alimentar, sendo uma planta altamente nutritiva e de grande potencial.
Nós não deveríamos estar negligenciando uma planta de tamanha importância agronômica, estética e nutricional.
Ideal para iniciantes e hortas urbanas
Além disso, o inhame rosa é uma excelente opção para quem está começando a cultivar alimentos em casa.
Por ser resistente, ele não exige grandes conhecimentos técnicos nem cuidados constantes.
É só plantar, esperar e colher.
Isso o torna ideal para hortas urbanas e quintais pequenos.
E o melhor: ele ainda embeleza o ambiente com sua folhagem exuberante e suas flores delicadas.
Lá no vídeo a gente mostra direitinho como plantamos o “dentinho” do inhame rosa e como fazemos a colheita na prática:
Benefícios nutricionais
Do ponto de vista nutricional, o inhame rosa também não deixa a desejar.
Ele é fonte de carboidratos complexos, fibras, vitaminas do complexo B e minerais como potássio e ferro.
É um alimento que contribui para a saúde intestinal, ajuda na regulação da glicemia e ainda fortalece o sistema imunológico.
Ou seja, além de ser fácil de cultivar, ele também é um aliado da saúde.
Convite à valorização
O inhame rosa mostra como é possível diversificar a produção de alimentos mesmo em espaços pequenos e com baixa manutenção.
E o mais importante: é acessível, não exige grandes investimentos e pode ser cultivada por qualquer pessoa.
Fica aqui o convite para que mais pessoas conheçam, cultivem e valorizem essa planta.
O inhame rosa é um tesouro da agricultura tradicional que merece espaço nas hortas urbanas, nas roças familiares e até nos jardins ornamentais.
Com um pouco de cuidado e atenção, ele pode voltar a ocupar o lugar de destaque que já teve no passado.
Então, por hoje é isso. Até mais, pessoal.
